O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo (Sindicato dos Radialistas) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) acompanham com grande preocupação as demissões iniciadas pelo Grupo Paulo Lima na manhã de terça-feira (21), envolvendo trabalhadores da TV Fronteira, Rádio Jovem Pan News e dos portais de notícias do grupo.

Sem qualquer negociação prévia com as entidades sindicais, a empresa iniciou o processo de desligamentos e comunicou a intenção de dispensar cerca de 30 trabalhadores, mantendo um quadro aproximado de apenas 50 empregados. Até o momento da elaboração desta matéria, mais de dez demissões já haviam sido efetivadas.

Diante da gravidade da situação, os sindicatos protocolaram petição conjunta perante a 1ª Vara do Trabalho de Presidente Prudente, requerendo a realização de audiência urgente de conciliação, com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), buscando alternativas que reduzam os impactos sociais da dispensa coletiva e assegurem o respeito aos direitos dos trabalhadores.

Descumprimento de decisão judicial

Além da ausência de negociação prévia, as entidades sindicais apontam que o Grupo Paulo Lima está descumprindo decisão liminar proferida em Ação Civil Pública, que determina a impossibilidade de realização de demissões coletivas sem negociação prévia com os sindicatos representantes da categoria.

A decisão judicial estabelece, ainda, multa de R$ 100.000,00 pelo descumprimento de cada obrigação imposta, além de multa de R$ 5.000,00 por trabalhador atingido pela dispensa coletiva.

Cenário de precarização

Os Sindicatos dos Radialistas e dos Jornalistas vem denunciando, há meses, a deterioração das condições de trabalho nas empresas do Grupo Paulo Lima. Entre os principais problemas relatados pelos trabalhadores estão atrasos de pagamentos, sobrecarga de trabalho decorrente da falta de reposição de pessoal, deficiência na manutenção de equipamentos e veículos, riscos à saúde e à segurança, além do aumento dos casos de adoecimento.

Esse cenário contribuiu para que diversos profissionais optassem por pedir demissão diante das condições enfrentadas. Desde o final de 2024, aproximadamente 40 postos de trabalho já haviam sido encerrados em razão de desligamentos voluntários e outras saídas, sem a correspondente reposição dos empregados.

As dificuldades atingem profissionais de diversas áreas, como operadores de câmera, operadores de estúdio, cinegrafistas, editores de imagem, produtores, técnicos, motoristas, pessoal administrativo e demais trabalhadores responsáveis pela produção e transmissão da informação em toda a região Oeste do Estado de São Paulo.

Atuação dos Sindicatos

Os Sindicatos dos Radialistas e dos Jornalistas reafirmam que continuarão adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para defender os direitos da categoria, exigir o cumprimento da legislação trabalhista e das decisões judiciais, bem como buscar alternativas que minimizem os impactos das demissões.

Neste momento, o Sindicato manifesta sua solidariedade a todos os trabalhadores e trabalhadoras atingidos por essa medida, colocando-se à disposição para prestar orientação jurídica e assistência sindical aos profissionais afetados.

SINDICATOS DOS RADIALISTAS E JORNALISTAS EM ATO NA PORTA DA EMPRESA