Fábrica controlada por operários pode fechar

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Os trabalhadores da empresa Flaskô, localizada no município de Sumaré, no estado de São Paulo, lutam contra uma decisão judicial que determinou a paralisação das atividades.

Por  Jorge Américo

A falência foi determinada devido a uma dívida com fornecedor que, de acordo com os trabalhadores, não pretende fazer negociação.

A fábrica, que atua no ramo plástico e pertenceu ao Grupo Tigre foi tomada pelos trabalhadores em junho de 2003. Atualmente, os 62 funcionários recebem salário médio de R$ 1.5mil e o faturamento mensal subiu de R$ 40 mil para R$ 500 mil.

A gestão da empresa é feita pelo Conselho de Fábrica, eleito pelos trabalhadores, e as decisões mais importantes são adotadas por meio de assembleias. O advogado Alexandre Mandl, integrante do Conselho, aponta algumas das conquistas dos trabalhadores.

 “Nós temos uma jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redução de salário, o que proporciona uma qualidade de vida melhor para o trabalhador e para a própria organização da fábrica. Conseguimos não só manter o faturamento da fábrica, como aumentar.”

Mandl defende a privatização da empresa e revela que 90% das dívidas deixadas pelos antigos proprietários são referentes a encargos sociais e tributários.

 “Tem um estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que diz ser possível transformar o débito existente da Flaskô com a Receita Federal em crédito. E isso seria por meio dessa estatização”.

Sob a gestão dos funcionários, a Flaskô criou a Vila Operária, com 300 moradias e um projeto que oferece oficinas culturais e esportivas para a comunidade. Na última sexta-feira (16), às 13 horas, os trabalhadores realizaram um ato na porta da fábrica, para pedir apoio popular.