Patroa, responsável por morte de criança de 5 anos, em Recife, merece punição

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Enquanto a mãe teve que levar o cachorro dos patrões para passear, a patroa não cuidou de seu filho: o pequeno Miguel, de 5 anos, morreu ao cair do 9º andar de um prédio de luxo em Recife/PE

 

Por Intersindical

 

NÃO TEM DESCULPA, NÃO TEM PERDÃO, É PRECISO PUNIÇÃO

Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, de sorriso terno e levado, sorriso de criança saudável e amada, morreu no dia 02 de junho. Não estava doente, estava na casa dos patrões de sua mãe que é obrigada a trabalhar mesmo durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus para garantir o sustento.

Miguel morreu porque a patroa de sua mãe, não cuidou dele.  A patroa, Sari Corte Real  abandonou a criança dentro do elevador. Miguel caiu do 9º andar de um prédio luxuoso de Recife chamando pela mãe, estava longe de sua casa e separado de sua mãe que estava numa de suas muitas obrigações no trabalho, levar o cachorro da patroa para passear.

Miguel, essa criança linda e negra, foi morta por causa da negligência, do desrespeito, da crueldade daqueles que se acham seres superiores e tratam os trabalhadores e seus filhos como coisas e como coisas podem ser descartáveis.

Sua mãe Mirtes Renata é empregada doméstica, seu patrão é o prefeito da cidade de Tamandaré/PE, Sérgio Hacker, sua patroa Sari Corte Real estava mais preocupada em fazer suas unhas do que cuidar do pequeno Miguel que se sentindo só foi buscar pelo carinho da mãe.

Mirtes e sua mãe, também empregada doméstica, continuavam trabalhando mesmo depois que seu patrão, o prefeito de Tamandaré, teve confirmação de contaminação pelo novo coronavírus, Mirtes também foi contaminada e mesmo doente foi obrigada a continuar trabalhando para garantir o sustento e os cuidados com seu filho.

As creches estão fechadas por conta da pandemia, mas seres asquerosos como Sari Corte Real não estão preocupados com as vidas dos trabalhadores e seus filhos, só estão preocupados em serem servidos, por isso Mirtes continuou trabalhando durante a pandemia e no dia 02 de junho teve que levar Miguel consigo.

A declaração carregada da dor, do sofrimento de uma mãe que tem a vida de seu pequeno filho arrancada é a verdade mais escancarada de uma sociedade dividida em classes:  a mãe disse que se fosse ela a responsável pela morte da criança seu rosto estaria estampado e já estaria presa, o que não aconteceu com a patroa que apenas foi levada para Delegacia, atuada por homicídio culposo e liberada após pagar fiança de R$20 mil.

O nome que tanto tentaram esconder é esse: Sari Corte Real, foi ela quem apertou o botão do elevador, foi ela quem deixou Miguel sozinho no elevador, foi ela a responsável por não cuidar da pequena criança negra que despencou de uma altura de mais de 30 metros, buscando pela mãe.

Mais um filho negro de nossa classe morreu, mais uma mãe e uma avó trabalhadoras sofrem com a dor provocada por esse sistema que nos divide em classes.

Não tem perdão, nem esquecimento, é preciso exigir punição e principalmente colocar a dor e a indignação à barbárie em movimento. Fortalecer a luta contra esse sistema capitalista que ainda sobrevive explorando e arrancando a vida da classe trabalhadora.