Camarada Martinelli está presente em nossa luta que segue

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Foto reprodução: Raphael Martinelli

No domingo, dia 16 de fevereiro, faleceu um camarada que dedicou sua vida à luta da classe trabalhadora. Raphael Martinelli, de 95 anos, mesmo adoecido, mantinha seu vigor e convicção na necessidade de lutar por uma outra sociedade, sem exploração.

Por Intersindical

Martinelli começou como ferroviário na década de 1950. Contribuiu para organização da classe trabalhadora em tempos sombrios, onde uma ditadura financiada pela burguesia tentava calar através da tortura e da morte aqueles que ousaram a lutar por melhores condições de vida e trabalho.

Martinelli foi cassado, preso e torturado a partir do golpe militar de 1964, mas mesmo sob intensa violência da repressão do Estado, mesmo encarcerado, não abandonou seu compromisso com a luta, com os seus iguais, os trabalhadores.

Foi militante do Partido Comunista do Brasil, participou, ao lado de Marighella, da Aliança Libertadora Nacional (ALN), contribuiu para organização não só dos ferroviários, mas também do conjunto de nossa classe, fez parte do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), organizando importantes lutas a partir dos locais de trabalho.

Depois da redemocratização, Martinelli seguiu com o que nunca suspendeu em sua vida, contribuindo para a organização da classe trabalhadora. Também foi parte da luta pelo resgate e preservação de nossa memória de luta como classe, foi um dos principais companheiros que contribuiu para construção do Memorial da Resistência, espaço criado onde existiu um dos maiores e piores centros de tortura do país, na cidade de São Paulo, ali estão registros da história de muitos dos nossos que enfrentaram a ditadura militar.

Raphael Martinelli não apenas falou, Martinelli fez junto com os seus, lado a lado com seus camaradas, seu compromisso estava em contribuir com a necessária luta por emancipação de nossa classe.

Encontramos Martinelli recentemente na homenagem ao operário Santo Dias, membro da Oposição Metalúrgica de São Paulo que foi assassinado pela polícia na frente da empresa Sylvania em 1979, nessa homenagem Martinelli demonstrou mais uma vez sua convicção, lucidez de análise do momento em que vivemos e das tarefas que temos, numa luta que continua sendo contra o Capital que mata através de seus órgãos de repressão do Estado, através da miséria e das péssimas condições de trabalho.

Martinelli seguirá presente no compromisso de quem não abriu mão de contribuir com sua vida pela construção de uma nova sociedade, sem explorados e exploradores, uma sociedade socialista.

CAMARADA MARTINELLI, PRESENTE AGORA, E SEMPRE